Um novo formato para a Bicicletada!



Aconteceu nesse sábado a 44ª (se não errei as contas)
Bicicletada de Porto Alegre, numa agradável manhã de
primavera, com a participação efetiva de 15 ciclistas(*).

A novidade deste encontro foi que não pedalamos - para a
desilusão daqueles que apareceram procurando por um
passeio(*).

"Uai?! Não pedalaram nem distribuiram panfletos aos
motoristas?!"

Não. Por uma sugestão apontada há muito tempo na própria
Bicicletada, reforçada no I Encontro de Ciclistas de Porto
Alegre (realizado última terça-feira) e decidido por
consenso dos participantes nesse sábado, decidimos
aproveitar o momento do encontro para CONVERSARMOS.

Entendemos que estamos vivendo um momento histórico para as
bicicletas em Porto Alegre (com um Plano Cicloviário
assando no forno), onde uma série de conflitos poderão
surgir e, "metaforicamente resumindo", o plano poderá sair
crú do forno. Soma-se a isso questões de educação e
respeito (falta de), observado entre os próprios ciclistas
(vide relatos de passeios das últimas semanas), entre
outras questões. Por isso tudo esse é o momento crucial
para que um movimento de ciclistas se organize e busque
coesão (sob o risco de não sermos ouvidos, restando chupar
o dedo mais uma vez).

Portanto, os encontros da Bicicletada a partir de agora
(pelo tempo que for necessário) serão reuniões para tomada
de decisões, organização de atividades(**), atualização de
informações, eleger representantes, etc.

A segunda novidade ("Bah! Ainda tem mais?!") é que
resolvemos dar ênfase à educação dos ciclistas, não mais
tanto aos motoristas, como era o objetivo inicial. Com um
bando infratores ciclistas (denominação nada polêmica, vide
CTB) à solta pelas ruas da cidade, jamais teremos razão
para reivindicar nosso espaço.

Ciclistas conscientes em primeiro lugar.

PS: Foi a reunião ao ar livre mais produtiva e organizada
que já participei (excetuando o momento do bêbado,
"gentilmente" convidado pela Ninki a retirar-se). Contamos
inclusive com apoio internacional, diretamente do Canadá
para a Bicicletada! Adorei a energia dessa turma.


(*) Alguns não quiseram ficar. Muitos ainda relutam em
dedicar uns poucos minutos de suas vidas para pensar no
coletivo - o coletivo dos ciclistas, que em última análise,
significa pensar em si mesmo! Ou será que existe algum
lugar de Porto Alegre onde ciclistas são respeitados (assim
como conhecem e respeitam as normas de trânsito)?

(**) A primeira ação a ser realizada será uma visita à
locais com grande número de trabalhodores que usam
bicicleta. Mapearemos as empresas e definiremos um
calendário de visitas. Sugestões de locais podem ser
enviadas pra mim ou para Ninki.

*fonte:texto enviado a bikers,por Cristiano Hickel
foto gentilmente cedida por Marli Maravalhas.

...um pouco de história!

Massa Crítica

Em 1992 o intelectual ciclista, que para sobreviver tinha desenvolvido
um sistema de visitas turísticas de bicicleta por São Francisco nos
lugares históricos do movimento dos direitos humanos e do movimento
sindical, se uniu à São Francisco Bike Coalition que promovia a
mobilidade urbana baseada nas bicicletas. Daquele encontro nasceu a
Critical Mass, a Massa Crítica.

O nome Critical Mass deriva de um estudo feito sobre a mobilidade das
bicicletas nas cidades chineses, onde não existe sistema de regras de
trânsito nem uma presença significativa de semáforos. Da falta de
direito de preferência se chegava à conclusão de que as bicicletas
eram capazes de passar por um cruzamento muito transitado só quando a
quantidade das mesmas alcançava um ponto crítico, uma "massa crítica"
de fato, capaz de parar o fluxo de caminhões e de automóveis.

Desta conclusão nasce a percepção de que também as bicicletas fazem
parte do trânsito, mesmo se o trânsito é automobilístico, e que devido
à consciência dos motoristas, estas tinham sido expulsas fisicamente
das ruas. Esta invisibilidade era absoluta nas mentes dos planejadores
urbanos: todas as placas de trânsito, que eram pagas também com os
impostos dos ciclistas, eram unicamente dirigidas aos automobilistas;
os sinais de trânsito, a ausência de ciclovias ou ciclo-faixas, os
passos de montanhas sobre pontes, os estacionamentos: tudo era pensado
essencialmente para os automóveis e as bicicletas entravam sempre como
uma eventualidade ou variação para os projetistas.

A inauguração de uma ponte na baía de São Francisco, onde era proibido
o trânsito aos ciclistas, deu origem no mês de setembro de 1992 à
primeira "massa crítica". Os ciclistas se organizaram autonomamente e
decidiram pôr nas próprias mãos seus destinos: um grupo de ciclistas
passou a ponte e deu início a um desafio com as autoridades.

O modus operandi do Critical Mass é simples: ir de bicicleta todos
juntos, levando a velocidade de deslocamento normal das estradas aos
limites naturais da pedalada.

Visto que mover-se em âmbito urbano de automóvel já comporta viajar
sempre com uma velocidade inferior em respeito à velocidade de um
ciclista, é assim que as tentativas dos automóveis de superar a massa
compacta de bicicletas não causava aos mesmos tantas frustrações pela
tenaz capacidade dos manifestantes em construir este muro de
ciclistas. Isso é resultado da mesma lógica de que pretende fazer com
que todos os automóveis viajem muito velozes. A mobilidade
automobilística generalizada, hoje estabelecida na sociedade baseada
sobre o desperdício, é por si mesma impossível: o próprio número de
automóveis impede qualquer possibilidade de deslocação rápida, para
não falar do problema de estacionamento.

O próprio modo da ação do Critical Mass o põe em relação com
movimentos como Reclaim The Streets, Provos e Car Busters. Todos estes
movimentos podem ser considerados variáveis da mesma crítica social
desestruturada e não-ideológica, se por ideologia significa um sistema
rígido e acabado em todas as suas partes.

Das origens de São Francisco, o movimento difundiu-se nas principais
cidades americanas e européias, para depois ampliar-se aos demais
países onde os danos causados pelo automóvel só agora começa a ser
enfrentado como um problema social.

Na Massa Crítica não há um porta-voz, não há estruturas organizativas,
os percursos são decididos pelos mesmos participantes, assim como os
eventuais conteúdos. Mas em geral pode-se dizer que a Massa Crítica
deixa que os fatos falem por si mesmos: se espontaneamente uma massa
de ciclistas ocupa as ruas e impõe o seu ritmo, isto é mais do que
suficiente. Quem quiser entender alguma coisa, entenda. E cada
participante pode estar presente por um motivo qualquer: desde a
simples vontade de estar junto com os outros ou por uma reivindicação
de maior espaço para os ciclistas até o pedido de abolição definitiva
do automóvel dos centros urbanos. Qualquer que seja o motivo - o
ciclista está sempre em luta com o equilíbrio precário das duas rodas
e com a violenta arrogância dos motorizados - finalmente o podemos ver
quando reivindica a sua própria existência. Mas desta vez em Massa.

Fonte: Coletivo Folha (www.geocities.com/coletivofolha).

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objetivo é fazer um alerta,um chamamento
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A "nossa bicicletada" esta neste momento voltada
para "educar ciclistas",priorizando a bicicleta;defen
dendo o meio ambiênte,a solidariedade e a vida